Retrocompatibilidade: irrelevante ou necessária?
24 de Junho de 2015 Rafael de Oliveira Artigo
"Retrocompatibilidade anunciada para X-BOX ONE durante conferência da E3 foi aprovada com grande entusiasmo por parte dos proprietários do console. Desta vez, foi a Microsoft quem considerou jogadores e colecionadores mais conservadores".

A surpresa por parte da Microsoft de oferecer retrocompatibilidade dos games de X-BOX 360 para seu atual console foi amplamente divulgada pela mídia especializada, à ponto da concorrência ser abordada sobre o assunto. Duramente criticada durante o anúncio de lançamento do X-BOX ONE na E3 2013, a Microsoft demonstrou um posicionamento mais flexível desta vez, praticamente retrocendendo em suas intenções declaradas para o futuro.

Na briga pela preferência do público gamer, a Sony conquistou em 2013 euforia e aplausos diante o anúncio de seu posicionamento em relação à comercialização dos games para o sistema Playstation 4, mantendo intacta a política de distribuição de títulos AAA em mídia física. Com uma visão mais futurista em relação ao mercado de games, a Microsoft apresentava o X-BOX ONE na aposta de demonstrar superioridade tecnológica através das funções modernas do novo Kinect e, ao contrário da política de distribuição de mídia adotada pela concorrência, comercializar os títulos do console apenas por meio digital. Segundo o pensamento da empresa naquele tempo, os games em mídia física chegariam a extinção, sendo irrelevantes para o futuro do mercado de games. A Sony venceu facilmente esta disputa, simplesmente mantendo as coisas como sempre foram. Assim foi a E3 2013.

Surpreendentemente, o mundo deu voltas. A Microsoft se propôs a dispor de tempo e dinheiro para tornar o seu atual console retrocompatível com parte da biblioteca de games do X-BOX 360, console da geração anterior. Nos canais oficiais da Microsoft, uma votação pública foi feita com o intuito de elencar quais games de X-BOX 360 deveriam chegar primeiro ao X-BOX ONE através da retrocompatibilidade, sendo "Red Dead Redemption" o mais votado. A promessa é, até o fim deste ano, tornar funcionais mais de 100 títulos da geração passada no novo console. Recentemente, saiu a notícia sobre a possibilidade de usufruir de DLCs dos títulos de X-BOX 360 diante a retrocompatibilidade do X-BOX ONE. Caberá apenas as publishers permitir ou não o uso de conteúdos adicionais de seus respectivos games.

Mesmo sabendo sobre esta nova implementação da Microsoft sobre o X-BOX ONE, a Sony mostrou-se inflexível diante o assunto, descartando qualquer espectativa sobre retrocompatibilidade da biblioteca de jogos do Playstation 3 à disposição no Playstation 4. Surpreendido com a engenharia exercida pelos programadores do console da Microsoft, Shuhei Yoshida se mostrou curioso pelo método de retrocompatibilidade criado pela Microsoft, muito difícil de emular adequadamente. Para não cair do salto e concorrer diretamente à retrocompatibilidade da concorrente, Shuhei Yoshida mencionou os serviços de streaming Playstation Now como solução para o Playstation 4. Este discurso lembrou outro posicionamento de Yoshida diante o lançamento do WII-U, dizendo concorrer superiormente ao console da Nintendo por utilizar o Playstation Vita como solução direta para suprir as funções que o gamepad do WII-U oferece, promessa que até hoje não foi cumprida. Inclusive, especulava-se sobre um bundle do Playstation 4 acompanhado do Playstation Vita para incrementar funções conjuntas. Hoje, nem uma palavra sequer é mencionada sobre a interação do portátil com o console, e aliás, o Playstation Vita está totalmente distorcido de sua característica mais forte: oferecer jogos. Segundo Yoshida, o Playstation Vita não mais poderá comportar games AAA, servindo apenas para jogos digitais. Os que apostaram no Playstation Vita em projeção ao sucesso conquistado pelo Playstation Portable, que era oferecer jogos AAA em um portátil, perderam amargamente. Uma solução para reaquecer o Playstation Vita seria ampliar fortemente a biblioteca de clássicos para o portátil, além de investir em remasterizações ou adaptações de jogos do Playstation 3 para o portátil, que carece de títulos deste calibre.

É óbvio que o Playstation Now será uma solução inferior em comparação direta ao serviço de retrocompatibilidade gratuito oferecido pela Microsoft! O usuário que quiser jogar clássicos do Playstation 3 no Playstation 4 deverá pagar uma mensalidade pelo serviço de streaming, além de depender de uma excelente banda larga para jogar adequadamente. A Microsoft oferece a retrocompatibilidade gratuitamente através de atualizações, sendo possível aproveitar os jogos comprados na XBLA quanto utilizar discos do X-BOX 360 que estão guardados na estante. O usuário não perde nada, e ainda pode ampliar sua coleção de títulos do X-BOX 360 graças à retrocompatibilidade! Um exemplo prático é que tenho diversos títulos digitais para o Playstation 3, estes que não podem ser desfrutados em um Playstation 4. Para jogar todos, tenho de ter os dois consoles na estante. Obteria mais vantagens em vender o Playstation 3 para jogar tudo no Playstation 4, mas sem retrocompatibilidade, acabo perdendo a chance de passar o console para frente e aproveitar o dinheiro para comprar mais títulos para o atual console.

Colecionadores de games estariam mais agradecidos em manter sua biblioteca de jogos disponível para um único console atualizado. Salvo bundles raros para coleção, não há razões para manter u Playstation 3 na estante se a retrocompatibilidade estiver disponível no console mais atual. Eu não fiz questão de adquirir um Playstation One, mas fiz questão de ter uma coleção modesta de games originais em disco do primeiro console da Sony que desfruto no Playstation 3, e me sinto satisfeito por isso. Caso não existisse retrocompatibilidade, teria de adquirir hoje um Playstation One, o que me faria perder tempo e dinheiro.

A Nintendo é um exemplo a ser seguido no quesito retrocompatibilidade, pois desde o lançamento do Nintendo WII é possível conhecer a biblioteca de jogos do Gamecube. Infelizmente, a empresa passa por outros problemas que não envolvem necessariamente este quesito, portanto, é assunto para outra discussão. O bolso não deixa, mas gostaria de ter em minha estante games completos do Gamecube, Nintendo WII e Nintendo WII-U. Melhor seria se o Nintendo WII-U permitisse o uso de discos do Gamecube, mas dos males o menor, visto que teria dois videogames para adquirir ao invés de três. Pior é jogar games do Playstation 2, pois a retrocomplatibilidade do Playstation 3 "FAT" é limitada, o que me obriga a obter um console Playstation 2 para aproveitar estes games. Eu tenho um Playstation 2, um Playstation 3, e se eu quiser ter o Playstation 4 em minha estante, não poderei me desfazer dos consoles anteriores!

A Microsoft teve que aprender na marra a ouvir melhor seus consumidores e oferecer soluções que realmente sejam relevantes para o público. As críticas foram duras, e as vendas inferiores confirmaram a insatisfação geral diante a política de comercialização de jogos adotada desde o início. Voltar atrás é uma atitude inteligente, e parece que a Microsoft aposta neste regresso. Jogadores querem ter uma estante de jogos repleta e à um custo acessível, livre de tantos gastos com consoles antigos, cabos e televisores.

Se a Sony fosse inteligente o suficiente, investiria rapidamente na tecnologia de retrocompatibilidade para seu atual console. "Ultra Street Fighter IV" apresentou inúmeros bugs em seu lançamento digital para o Playstation 4. Se a retrocompatibilidade estivesse disponível, "Ultra Street Fighter IV" venderia da mesma forma, só que com o grande diferencial do jogo funcionar perfeitamente. Se a lista de jogos retrocompatíveis for adequada, "Ultra Street Fighter IV" será jogado na XBLIVE em um X-BOX ONE sem nenhum problema. Ainda há dúvidas de qual serviço desta natureza atende melhor os anseios dos jogadores? Irrelevante ou necessária? Inteligente seria a palavra mais apropriada.

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