Introdução:
Amigo leitor, prepare-se para adentrar em uma caverna cheia de monstros fofinhos e mistérios sem qualquer explicação! Na contramão dos gêneros de ação e pancadaria, "Bubble Bobble" apresentou uma abordagem totalmente diferente dos arcades convencionais da época! Lançado no Japão em 1986 pela Taito, "Bubble Bobble" foi produzido com ênfase na cooperatividade entre os jogadores, requisito primordial para se obter sucesso no game. O aspecto visual fofo e colorido dos personagens aliado a músicas delicadas e efeitos sonoros infantis aproximaram tanto jogadores quanto jogadoras nos arcades japoneses. Ao redor do mundo, a popularidade do título veio por meio das conversões para diversos consoles. Em 1988, a própria Taito trabalhou na conversão direta de seu grande sucesso para o Nintendo Entertainment System. Hoje, é possível encontrar a mesma versão do game para o Virtual Console de Nintendo WII, Nintendo WII-U e Nintendo 3DS. "Bubble Bobble" está listado como um dos 30 jogos selecionados pela Nintendo para o lançamento do Nintendo Classic Edition, previsto para Novembro de 2016.
História:
Os irmãos gêmeos Bubby e Bobby viviam felizes com suas respectivas namoradas, Betty e Patty. Mas a felicidade dos irmãos foi interrompida com o sequestro das donzelas pelo terrível Grumple Grommit (Super Drunk no Japão), que impiedosamente as levou para as profundezas de uma caverna repleta de monstros. Para agravar ainda mais a situação, os irmãos foram transformados em pequenos dragões cuspidores de bolhas! Corajosamente, os irmãos dragões, agora chamados Bub e Bob (Bubblun e Bobblun no Japão), decidiram adentrar às profundezas da perigosíssima caverna de monstros em busca de suas amadas donzelas.
Produção:
Fukio Mitsuji (também conhecido como MTJ), responsável direto pela criação de "Bubble Bobble", declarou que o arcade foi elaborado intencionalmente com visuais carismáticos e jogabilidade cooperativa para que os casais japoneses pudessem passar o tempo jogando juntos nas casas de fliperama do país, que até então contavam apenas com arcades voltados para o público masculino. Alguns anos depois do lançamento do arcade e incontáveis conversões para consoles e computadores, Fukio Mitsuji trabalhou como professor em sua própria escola de desenvolvimento de jogos, sendo "Magical Puzzle Popils" para Game Gear seu último jogo desenvolvido para o mercado. O grande sucesso de "Bubble Bobble" não foi alcançado apenas por sua fofura visual. "Bubble Bobble" é um excelente exemplo de como desenvolvedores de jogos podem elaborar fases simples e desafiantes em uma única tela, visto os 100 estágios presentes no game serem completamente diferentes. O jogo é carregado de segredos, sendo muitos deles difícieis de serem desvendados. Trazer o aspecto puzzle aos arcades foi uma atitude ousada por parte de Mitsuji, que deu muito certo. Infelizmente, a conversão para o NES que tratamos neste review apresentou alguns problemas que serão descritos mais detalhadamente a seguir.
Jogabilidade:
No menu principal estão as opções para início de 1 ou 2 jogadores. Ao inserir um password corretamente, é possível continuar o jogo no estágio correspondente ou selecionar estágios anteriores. Ao contrário de alguns jogos que utilizam muitos caracteres para compor o sistema de passwords, "Bubble Bobble" exige apenas 5 caracteres de A a J, o que facilitava muito a vida dos jogadores em tempos românticos de papel e caneta para anotar passwords.
A ação de cada fase é desempenhada em uma única tela, onde o jogador pode mover-se livremente atravessando as bordas do cenário para continuar no lado oposto. Um cuidado redobrado é necessário ao cair em um buraco, pois atravessá-lo o levará para o topo da tela, que geralmente é composta por inimigos! O principal meio de ataque dos dinossaurinhos é encapsular os inimigos dentro das bolhas disparadas para imobilizá-los, assim destruíndo-os ao encostar neles. Os dinossauros Bub e Bob são lentos em sua movimentação, e praticamente flutuam durante os saltos. As bolhas podem ser disparadas continuamente a ponto de forrar a tela inteira delas! Em determinados pontos do cenário, as bolhas vão se aglomerando para seguirem um trajeto específico, se concentrando para as laterais e para o meio da tela, e vão subindo até certo ponto. Ter muitas bolhas passeando pelo cenário é fundamental para alcançar partes mais elevadas, pois além de aprisionar inimigos, é possível utilizar as bolhas como plataformas móveis. A técnica consiste em segurar o botão de pulo em cima de uma das bolhas para pegar uma carona. É difícil de permanecer em cima de uma bolha nas primeiras partidas, o que exige um pouco de prática por parte dos jogadores novatos. Encapsular os inimigos em bolhas não garante o sucesso de suas investidas, principalmente contra os adversários das fases mais avançadas, que facilmente se libertam em alguns segundos. Quando libertos ou restando apenas um inimigo na tela, os inimigos retornam enfurecidos e muito mais perigosos! Esta situação se torna agravante quando o tempo limite se esgota: todos os inimigos na tela se enfurecem, e o terrível (e invencível) Baron Von Blubba passa a perseguir nossos heróis! Ao derrotar todos os inimigos da tela, o jogo leva seu personagem para as profundezas da caverna, sempre em uma próxima tela abaixo.
O game conta com uma quantidade impressionante de itens que surgem de acordo com determinadas exigências atendidas. São duas categorias de itens: os que ampliam o placar (chamados de Bonus Scoring) e os que conferem poderes especiais aos personagens (chamados de Magic Bonus Items). A variedade de itens é grande e dificilmente se consegue obter todos eles nas primeiras partidas. Boa parte dos Bonus Scoring Items são relacionados à comida: picolés, hambúrgueres, sorvetes de casquinha, bolos, pimentões, rabanetes, cenouras... os itens de pontuação mais valiosos são diamantes e coroas. Dos itens mágicos, as sapatilhas são consideradas essenciais, pois providenciam aos nossos heróis uma melhoria significativa na movimentação. Outro power up essencial é o doce, que melhora o alcance e a velocidade das bolhas disparadas. O desequilíbrio é evidente sem os power ups. Outros itens especiais foram elaborados para serem usados em determinados cenários, como por exemplo as bolhas relâmpago, que servem para atacar inimigos presos em paredes. Há também bolhas que carregam letras, e ao serem todas coletadas, formam a palavra EXTEND, garantindo uma vida extra. Quando avistar um guarda-chuva, pegue-o para pular até 5 fases de uma vez! Os estágios exclusivos da versão Nintendo são acessíveis a partir do nível 99, bastando não coletar a bola de cristal para que uma porta secreta seja revelada.
O game é desafiador e todos os seus níveis possuem uma maneira distinta de vencer. Os mapas dos primeiros níveis são simples e intuitivos, porém esta intuitividade e a simplicidade se perdem nos níveis avançados. O intenção dos produtor de criar mapas voltados ao gênero quebra-cabeças deixou a ação embaralhada, tornando o simples salto em plataformas muito confuso. Graças a esta falha, cabe ao jogador não confiar no que os olhos vêem, mas frustrantemente se mover em paredes e plataformas falsas em uma sucessão de tentativas e erros. Em um determinado nível, a parede está lá e seu personagem a atravessa, e em um outro cenário, a parede está lá, mas ele não passa por ela de jeito nenhum! Facilmente seu personagem ficará preso em meio ao próprio cenário! Diante dos desenhos malucos que o mapa apresenta, é chato ficar adivinhando onde seu personagem pode pisar. Ao menos, os continues são infinitos.
Além disso, outro grande problema que apenas a conversão de "Bubble Bobble" para Nintendo apresenta influi diretamente na jogabilidade, e é um defeito irritante: o sumiço repentino de sprites devido a capacidade reduzida do NES em manter todos os inimigos e objetos na tela ao mesmo tempo! Lançar diversas bolhas pelo cenário já é suficiente para fazer os demais sprites desaparecerem, o que deixa o jogador totalmente desprotegido diante os inimigos!
Os controles respondem razoavelmente, contudo há notória diferença na velocidade de disparo quando comparados controles normais com controles turbo. Existem jogos no Nintendinho que perdem facilmente a sensação de dificuldade quando utilizados controles turbo, ocasionando ou não um abismo entre dificuldades devido a eficiência nos disparos. Um gênero que apresenta este evidente distanciamento na dificuldade são os shoot'em ups, em especial os jogos de nave. Em contrapartida, existem outros jogos que não dependem do uso de um controle turbo, como por exemplo o próprio "Super Mario Bros". Um terceiro caso é constatado quando o jogador, por mais habilidoso que seja, sequer chega perto da eficiência de um controle turbo, tornando-o indispensável ao jogo. Este terceiro caso é o de "Bubble Bobble"! Figuradamente, dizemos que a dificuldade imposta sem o controle turbo é absurdamente difícil e desconfortável, e que o ajuste perfeito de dificuldade é alcançado com o uso de um controle turbo. Não se pode considerar uma trapaça ou quebra de experiência real de jogo ao requerer a ajuda de um controle turbo, pois a dificuldade geral imposta por "Bubble Bobble" não é afetada drasticamente. Em outras palavras, o jogador pode utilizar tranquilamente um controle turbo sem ser menosprezado por seus méritos, visto que utilizar um controle normal torna o jogo muito inviável.
Como no "Bubble Bobble" original, o jogo conta com apenas um único boss e finais diferentes. Para ver a cena completa, Grumple Grommit deve ser vencido no modo 2 Players, o que na minha opinião jamais deveria ser uma exigência, e sim uma opção.
Com defeitos sérios de jogabilidade, "Bubble Bobble" para Nintendinho só não é um desastre completo graças aos passwords simples e continues infinitos.
Gráficos:
Bubble Bobble" tem um aspecto visual agradável, mas primitivo em comparação a outros sucessos da época. Cada estágio apresenta cores e desenhos diferentes, alguns com mensagens sem sentido (como "HI TECH" no nível 72) e figuras gigantes (nível B2). Os inimigos foram muito bem desenhados por se diferenciarem uns dos outros adequadamente. A redução gráfica é mínima comparada aos fliperamas. As cores são vibrantes e se destacam bastante. A aposta por detalhes gráficos foi na elaboração de diferentes texturas para as paredes e blocos, com diversas linhas e quadrados. Todos estes elementos se encaixam perfeitamente com a fofurice desmedida dos personagens e demais objetos. Em se tratando dos personagens, estes foram animados com certa redução de quadros por segundo em comparação ao arcade, mas nenhum corte foi drástico. Com expressões carismáticas bem definidas, é impossível não se identificar com os olhos amendoados e movimentos dançantes dos personagens! Para se ter uma idéia, Grumple Grommit, o único e último grande inimigo do game, aparenta ser um doce de côco, com olhos amendoados e bochechas rosadas! Qualquer jogador jamais se sentirá amedrontado com os inimigos do game. Com certeza o visual meigo e brilhante adotado para o jogo não foi do agrado de todos, principalmente para os ocidentais, mas crianças e casais com certeza se encantaram na época. Hoje, o design dos personagens carregado de traços japoneses oriundos de mangás e animes infantis é mais comum e aceitável do que no passado.
Músicas e Efeitos Sonoros:
O jogo não oferece grande variedade musical! São pouquíssimas músicas diferentes da música tema, que é tocada à exaustão por uma maratona de 99 estágios, além dos 10 estágios extras exclusivos para esta versão. Não há nada de errado em si com a trilha sonora feliz e encantada, pois todo o aspecto visual combina com a música cintilante e os efeitos sonoros sutis. O grande problema é não haver outra faixa sonora para acompanhar o jogo! Se no mínimo houvesse a divisão de 8 faixas para o jogo inteiro, seria mais aceitável. O sound-test apresenta outras músicas, algumas até interessantes, mas nenhuma dessas faixas diferentes do tema principal é utilizada no game.
Conclusão:
Particularmente, não gosto dos exageros meigos que o visual do jogo apresenta e seria mais atraente, na minha opinião, um visual cômico e despojado como em "Super Mario Bros". ou "Pac Man". Mas é apenas o meu gosto, e não acredito que isso deva influenciar na diversão que "Bubble Bobble" proporciona de um modo geral. O arcade é divertido, cheio de mistérios e inúmeros itens para se descobrir, o que justifica seu sucesso. Já a conversão para o Nintendo Entertainment System tem um sério defeito difícil de ser perdoado: o sumiço repentino de sprites. A seleção de jogos do Nintendo Classic Edition poderia ter substituído "Bubble Bobble" por "Adventure Island 2" (produzido em 1986) ou "Adventures of Lolo" (produzido em 1989). "Bubble Bobble" de arcade é um clássico indiscutível e muito divertido, e a conversão para o Nintendinho teve altos e baixos, recebendo relativo sucesso em sua época. Mas, diante concorrentes como "Castlevania", "Megaman", "Super Mario Bros." e tantos outros, "Bubble Bobble" facilmente é deixado para trás.
BLACKBELT Virtual Dojo of Games: Resumo da avaliação e GRADUAÇÃO DE FAIXA:
  • Gráficos: São próximos do original, salvo alguns ajustes necessários. Os desenhos estão bons e os cenários estão coloridos dentro das limitações do NES. O desaparecimento de sprites em uma tela carregada de objetos é um problema sério e que estraga um pouco a experiência de jogo que o arcade original proporcionava.
  • Jogabilidade: Outro problema sério. A velocidade de disparo em um controle simples é drasticamente inferior em comparação com a mesma ação em controles turbo. Há momentos em que seu personagem fica preso entre os inimigos, sendo indispensável disparar bolhas velozmente, o que é impossível de se executar em um controle comum.
  • Músicas e Efeitos Sonoros: Os efeitos sonoros são característicos e se encaixam bem com o tema proposto. A música tema está bem enquadrada com o tema de magia, encantamento e inocência, mas é repetida até a exaustão durante todo o game.
  • Replay Value: "Bubble Bobble" é longo e oferece passwords para retomar partidas, o que é formidável para rever algum estágio já vencido. Contudo, a experiência de revisitar os estágios é anulada, pois não vai proporcionar nenhuma outra solução além das que foram descobertas da primeira vez. Outro fator que diminui o replay value é que o critério para se descobrir itens raros é praticamente randômico. Os finais diferentes não estimulam tanto jogar novamente como talvez os produtores imaginaram.
    CERTIFICADO DE GRADUAÇÃO DE FAIXA
    Tendo sido produzido pela TAITO e comercializado pela TAITO para NINTENDO ENTERTAINMENT SYSTEM a partir do ano de 1988, o BLACKBELT Virtual Dojo of Games confere honrosamente ao game BUBBLE BOBBLE a graduação de 4º KYU por seus feitos no ramo de jogos eletrônicos.

    NOTA FINAL: 6,0
    2 Players (simultâneos) Cartucho (NES); Memória Interna (NES Classic Edition); Digital Download (Virtual Console)
    2D Sidescroller; Arcade; Platform; Nintendo Entertainment System; Nintendo Classic Edition; Nintendo 3DS; WII; WII-U
    Bubble Bobble; Nintendo; http://www.nintendo.com/games/detail/...
    IMAGENS: